quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Bread workshop & Celebrity Heads

10-01-2010



Laura abriu as portas da cozinha para um workshop de “cinnamon roll” e os voluntários dessa tarde foram os marinheiros americanos, Chad e o Brian. Achei a idéia genial, dando chance a tripulação de explorar outras áreas e aprender os segredos da nossa cozinheira maravilhosa.






Estamos a quase zero grau de temperatura com uma constante chuva fininha. Pode ser que vá nevar essa tarde. Passamos dois incríveis icebergues e até agora nenhum navio japones à vista.
No Brasil, estão circulando comentários sobre o Greenpeace ter abandonado as baleias da Antártida, visto que esse é o terceiro ano que eles não vem para ao Pólo Sul se recusando a dar continuidade aos seus protestos nessa parte do mundo em um momento tão crítico - e sabe-se lá o porque do abandono! Talvez eles tenham desistido de lutar? Agora a Sea Shepherd está sozinha e é a única que ainda se opõe ao crime ambiental e está fazendo algo de prático.
Há anos são feitas reuniões, negociações e ninguém consegue fazer nada pelas baleias no Santuário. Os japoneses estão aumentando sua matança e agressividade nas suas ações contra a Sea Shepherd. Os anos passam e a caça continua, até que um dia não haverão mais baleias nos mares! Aparentemente, no final de janeiro vai haver uma reunião entre o Brasil e outros países no Hawaíi com os japoneses para o rotineiro debate. Espero que saia algo de bom...
Fizemos um encontro na ponte de comando para brincar de “Celebrity Heads”, um jogo em que você escolhe um nome de um personagem/ator/cantor/escritor/filosofo famoso, real ou não e coloca na testa da pessoa e você tem que descobrir a celebridade que foi colocada na sua testa através de perguntas. A resposta das perguntas serão sempre “sim” ou “não”, sem muitos detalhes...o que faz o jogo às vezes levar horas. Eu fui Tom Cruise e Arnold Schwarzenegger essa noite.





Barbara Veiga. 

Opinião

09-01-2010
José Truda Palazzo(brasileiro, ex membro do Instituto Baleia Franca, o qual foi fundador e da Comissão Brasileira Internacional) fez um ótimo comentário em uma recente entrevista sobre a caça baleeira e estou procurando entrar em contato com ele para propormos um boicote ao Japão junto com outros países da América do Sul, quando houver o “FEALAC SUMMIT”.
Ministros do exterior de 33 países incluindo o leste da Ásia e da America latina, vão se reunir no dia 16 de janeiro na “FEELAC”, com a intenção de discutir a caça ilegal no Santuário.
Cada tripulante no Steve Irwin fez hoje uma aposta de quando encontraremos a frota baleeira. Eu acredito que encontraremos amanhã, já que sou uma pessoa otimista... mas cada apostou em um dia e um horário diferente. Posso sentir a ansiedade no ar. Depois da perda do Ady Gil estamos todos tensos e queremos o mais rápido possivel encontrar o Nishin Maru e os outros navios para impedir a caça baleeira.



Paul Watson continua no frenético ritmo de entrevistas ao vivo e sabemos que todos os dias a mídia está procurando fazer uma cobertura especial sobre o caso. Isso gera um certo alívio, porque sabemos que estamos sendo ouvidos, porém esperamos fazer mais do que apenas colocar nosso ponto de vista. Queremos acabar de vez com a caça, mas não é tão fácil como gostaríamos que fosse.
Estava revendo meus diários de 2006 a 2009, os últimos anos que estive envolvida em campanhas que protegiam nossos oceanos e nossas baleias em diferentes organizações e me vi aqui, no quarto ano protestando sobre o mesmo problema. É doloroso perceber que a humanidade parece não se importar com o que está acontecendo no mundo. Desde que comecei minha luta, mais espécies estão extintas ou contaminadas... e nada de prático foi feito para mudar esse quadro. Ainda tenho esperança, por isso estou aqui e espero que o mundo se conscientize antes que seja tarde demais.




Barbara Veiga.

A colisão do Ady Gil em verão detalhada

08-01-2010
No dia 06 de janeiro o navio Shonan Maru II colidiu com Ady Gil, partindo o trimarã em dois pedaços. A tripulação foi removida para o navio Bob Barker, e o camera man da Animal Planet foi socorrido depois de ter quebrado duas costelas durante o impacto.
Horas mais tarde, Ady Gil estava mais que 30% submerso e foi iniciado o processo de retirada de combustível, lubrificantes e qualquer produto petroquimico que pudesse causar qualquer dano ambiental. Toda retirada de combustivel foi bem sucedida e o oceano não foi poluído. Bob Barker decide levar o Ady Gil à base francesa Dumont D`Urville.
Às 4hs da manhã de hoje, as cordas que uniam o Ady Gil ao Bob Barker se romperam depois de vários impactos com ondas e o barco afundou.
O capitão do trimarã, Pete Bethune, chegou a anunciar na rádio um sinal de “distress”/socorro (que é usado em casos de emergencia como abandono de navio, por exemplo) para o Shonan Maru II. A mensagem foi compeltamente ignorada.
Julia Gilliard, primeira ministra do partido da oposição disse que foi um verdadeiro milagre que ninguém foi morto e um acidente mais sério tenha acontecido durante a colisão. Como o choque ocorreu em águas australianas na Antártida, Julia Gilliard fez um pedido às autoridades para que o acidente passe por um processo minocioso de investigação.
O ministro do meio ambiente Peter Garret só apresenta em seu discursso a fragilidade do local e os riscos envolvidos em que os navios entraram por estarem em uma região remota e sem hospitalidade, como a Antártida. Porém nenhuma postura parcial foi anunciada a favor ou não da Sea Shepherd.
O Steve Irwin está em luto, ninguém consegue acreditar que nosso trimarã não será mais funcional para a campanha e o prejuízo com a perda do barco.
Soube através da Sea Shepherd Brasil que a repercussão no país foi também incrível e o website nacional foi tão acessado que houve uma queda na rede no período de uma hora. Globo, SBT, Record, RedeTV e tantas outras as emissoras mencionaram o caso da colisão e perda do Ady Gil. Infelizmente algumas informações foram distorcidas, para dar um “final feliz” para essa história. Mas a verdade é que o governo australiano ainda não enviou nenhuma embarcação para patrulhar a região onde ocorreu a colisão, a empresa que opera os baleeiros em tribunal internacional não foi processada criminalmente e as autoridades japonesas estão longe de punir o capitão da embarcacao que colidiu com o Ady Gil, pelo menos até o presente momento.
Como o registro do Ady Gil é neozelandes, aguardamos uma posição do governo sobre o caso, mas até agora não recebemos nenhuma informação a respeito. Pelo menos as autoridades marítimas do país informam que o processo de investigação já foi iniciado.
Um porta-voz do Japão, do “Institute of Cetacean Research” disse que Pete Bethune (capitão do Ady Gil) colocou o trimarã em uma posição de risco para que a colisão ocorresse propositalmente, mas com as filmagens da Animal Planet fica bem claro que o barco não estava movendo, quando Shonan Maru II veio com a intenção de causar uma colisão e eventualmente, afunda-lo.
O capitão Paul Watson respondeu da seguinte maneira à esse comentário do porta voz japones:
“It`s all been documented, we`ve got a Discovery crew onboard and six different camera angles so there`s no argument as to what was going on...”.
A crítica temática da anual caça às baleias ainda impera e a frota japonesa continua em ação ilegal no Santuário Baleeiro. Estamos com mais foco do que nunca em nossa missão e continuaremos atrás dos baleeiros para defender nossos oceanos.


Barbara Veiga.

Estamos falando de vidas!

07-01-2010
Voltamos às águas glaciais da Antártida. A situação é crítica com a perda de 1.5 milhoes de dólares, do nosso trimarã “high-tech”, mas estamos aliviados ao saber que a tripulação está segura no Bob Barker e que ninguém foi ferido gravemente. Simon, o camera man do Animal Planet já esta sendo medicado e encontra-se em repouso.
O ministro do meio ambiente, Peter Garret, ligou para os dois navios (Ady Gil e Shonan Maru II) para averiguar o fato e disse não haver nenhum plano pelo momento. Garret parecia imparcial no seu discursso e nos deixou apenas uma mensagem:
“ We had reminded the masters of protect vessels of their obligations under international law to take all steps to ensure safety of life at sea, particularly in the inhospitable conditions of the Southern Ocean”.
“We are also passing the same message to the Government of Japan”.
(Peter Garret)
Mais emissoras do mundo inteiro telefonaram para o navio em busca de maiores detalhes, enquanto entrevistavam Paul Watson e Locky. As emissoras que nos contactaram apenas hoje foram: Channel 7, Channel 10, West Australia,Canadian Public Radio, dentre outras. Estou procurando entrar em contato com a mídia do Brasil através da Sea Shepherd, ainda aguardando retorno.
A repercurssão da colisão do Shonan Maru II com o Ady Gil foi impressionante e a aparição do novo navio da Organização, fez com que o nome “Bob Barker” fosse votado em primeiro lugar com o maior número de acessos na rede de busca online: “Google” no dia de hoje.
Mudamos nossa estratégia e não iremos mais ao encontro do Bob Barker e Ady Gil. Estamos navegando agora para encontrar a frota japonesa e Chris fez dois vôos no helicóptero com a esperança de encontrar o Nishin Maru (“factory ship”). Nada à vista pelo momento, porém continuamos na busca. Shonan Maru II e III continuam próximos do Bob Barker e Ady Gil.
Nossa campanha tem mais um mês e meio de duração, o tempo que a frota japonesa caça baleias no hemisfério sul, por isso não temos tempo a perder afinal nós estamos falando de vidas.


Barbara Veiga.



A colisao do Ady Gil


06-01-2010
Comecei o dia com ótimas notícias! O Ady Gil e Bob Barker finalmente se encontraram e além disso já começaram a perseguição da frota japonesa. Eles conseguiram encontrar o Nishin Maru, um dos quatro navios que carregam os seus arpões que matam as baleias.
Ady Gil se aproximou do Nishin Maru e Bob Barker lançou na água um bote para juntos cumprirem com a missão do “Propeler fouling”,ou seja, quando eles lançam ao redor do navio japonês uma grande corda com arame no interior que ao tocar a hélice, faz com que ela fique travada diminuindo drasticamente a velocidade, ou talvez até faça parar de funcionar. Foi basicamente o mesmo plano que Ady Gil fez a última vez com o Shonan Maru II quando se encontrou com o Steve Irwin.
Paul Watson já foi entrevistado pelo “Australian ACC”, “Radio Nation Breakfast program”, “Project TV Show/Melbourne” e o “Radio NZ” em menos de tres horas nessa manhã. O mundo inteiro está ciente do que está ocorrendo e estamos felizes com as novidades. É provável que iremos encontrar o Ady Gil e Bob Barker dentro de alguns dias.



É aniversário do segundo oficial. Vamos então ter um bolo preparado pela Laura comemorando o aniversário e nossa temporarea vitória na perseguição da frota japonesa. Encontramos um dos navios, então isso quer dizer que é possível que estejamos muito perto de encontrar os outros. E ver os nossos três navios juntos.... wow... não tenho dúvidas de que essa cena vai ser histórica. UHULLL!!!
Às 12h40 – Os planos mudaram e o Ady Gil está indo ao nosso encontro amanhã às 11hs da manhã. Eles precisam de combustível que o Bob Barker não tem extra para compartilhar. A frota japonesa está situada em “Commumwealth Bay”, fora da costa de Adélie e Bob Barker continuará em atividade atrás dos baleeiros.
Depois da missão de ontem do Ady Gil e Bob Barker, a mídia está ciente sobre nosso novo navio. Surpreendemos os japoneses com os inesperados navios para essa campanha, um fato histórico também para a Organizacao.
Às 14h50 recebemos uma ligação do Agy Gil informando que ele foi confrontado pelo Shonan Maru II, que apareceu sem que ninguém percebesse. Ady Gil teve a parte da frente do trimarã completamente deformada, agora havendo uma escapa de água. A colisão ocorreu na posição: 64 02 83`S / 143 05 52`E.
Um “camera man” da Animal Planet fraturou duas costelas durante a colisão e os tripulantes foram removidos para o Bob Barker.
O Ady Gil ainda flutua, porém sem condições de navegar. É provável que o trimarã seja levado à base francesa e obtenha ajuda do navio frances “L`Astrolabe”.
Diante dessas circunstâncias, o Steve Irwin aumentou a velocidade e chegará ao encontro do Bob Barker e Ady Gil dentro de 550 milhas, um dia e meio, para verificar as reais condições do barco perdido e o local do acidente.


Barbara Veiga.

Dicas do "Taz Patrol"

05-01-2010





Lá fora faz 5 graus, o frio voltou! As noites voltam a ficar claras e os icebergs começam a ficar mais frequentes. O primeiro que vimos estava a 5 milhas de nós, depois foi se aproximando...
Soubemos através das notícias que sairam no twitter do “Taz Patrol” (um grupo de seis defensores de baleias que navegam em um pequeno barco de motor para encontrar a frota baleeira) que os japoneses enviaram um avião a Hobart no dia em que saimos do porto para nos acompanhar e saber nosso paradero. Felizmente, como tivemos mar agitado e tempestades, dificultou a busca deles. Tudo foi muito bem calculado e o plano funcionou perfeitamente. Shonan Maru também nos perdeu de vista. Vitória!
O “Taz Patrol” felizmente encontrou parte da frota baleeira. Yushin Maru 1, 2 e 3 foram vistos há 12 horas atrás na posição: 47 48` S/ 146 33`E. Shonan Maru está sem localização no momento, e acredita-se que eles ficaram assustados, então estão em busca de reforços. Também é possível que o Shonan Maru esteja trazendo mais combustível aos outros navios.
Bob Barker e Ady Gil prosseguem com a busca da frota baleeira e a frota baleeira está atrás do Steve Irwin. Tudo muito como esperavamos, exatamente como queriamos.Os despistando e alcançando a nossa meta.
Por três anos os japoneses tem tido prejuízos uma vez que a Sea Shepherd impediu que eles alcançassem a sua cota anual e dimuindo o número de baleias mortas. O capitão Paul e nós queremos que eles tenham prejuízos enormes e terminem de vez com a caça no Santuário. A caça de baleias é feita por razões econômicas e “culturais”, portanto não é justo causar um impacto ambiental dessa forma por motivos tão insignificantes. Se o nosso oceano morrer, nós morreremos consequentemente.
Ady Gil está ainda em uma alarmante situação: falta de água. Eles estão derretendo blocos de gelo pelo momento e breve estará encontrando o Bob Barker, que naturalmente ajudará com água e outros recursos.



Chris fez um treino rotineiro de “fire fighting” no heli deck para treinar seus novos assistentes. A Anastasia, da Estonia e também o neozelandes Bevin. Tinha espuma para todos os lados...





Barbara Veiga.

Uhul-mode

04-01-2010


Depois que passamos a linha imaginária de cor magenta que demarca território econômico australiano oficialmente(EEZ - “Australian Exclusive Economic Zone”), não tivemos nenhum sinal de eventuais “Shonan Maru`s” pelo caminho. Thanks God!
A noite anterior foi dificil para dormir por causa do navio rolando de um lado para o outro. Apesar de procurar estar sempre no meu “UHULLL- mode”, hoje me sinto cansada e com pouca energia. Coloco Fela Kuti para animar o “ship`s office”(meu ambiente de trabalho, onde retoco as fotos e escrevo meus textos).
Faço uma volta no navio para ver o que esta passando de novo. No “messroom” algumas pessoas assistindo ao filme “9 Distric” (que eu já tinha visto no Canadá), no “galley” Laura, Nicola e Vera começam a preparar o almoço, cortando verduras e lendo duas receitas em livros de culinária vegana. Já na ponte de comando a rotina de sempre. A cada hora colocar a posição e detalhes da navegação no diário de bordo do navio, às vezes mudar o curso para que a passagem seja mais confortável e ficar atento no radar. De olho vivo atrás dos baleeiros.
Leela, nossa tradutora japonesa é tambem massagista profissional e trabalha com isso na Austrália. Tive o privilégio de ter sua massagem e estou me sentindo renovada no final desse dia. Foi tão bom que fui toda animada para o “poop deck” fotografar albatrozes e pequenos pássaros que não consegui identificar a espécie(algum tipo de “petrel”). Lindos brincando com as ondas!






No fim do dia, grande parte das mulheres que trabalham em diferentes departamentos no navio foram até a ponte de comando para se familiarizar com os sistemas de navegação. Nossa médica e também “quarter master” Merryn guiou o grupo, explicando cada equipamento que usamos durante a navegação.





Barbara Veiga.

Impressões


03-01-2010


Existe um incrível documentário feito em 1988 pela BBC, chamado “Around the world in 80 days”. Michael Palin é o apresentador e escritor. A maneira dele interpretar é tão natural que é possível ver a personalidade dele. Tamanha espontaneidade! A viagem é toda feita de trem e navios cargueiros, nada de aviões. Ele passa por Venice, Atenas, Cairo, Bombay, Hong Kong, China, Egito, Canal de Suez, Mississipi, etc... e apesar das imagens terem sido feitas há mais de 20 anos atrás, senti uma identificação enorme, como se os lugares não tivessem mudado muito e nossas impressões fossem as mesmas.
É sempre interessante poder ver perspectivas de exploradores do mundo, as sensações, as culturas, os odores, impressões e o porque do “viajar”. Bom, no caso de Palin foi uma proposta da BBC, diferente da maneira que o Capitão Cook ou eu comecei a explorar continentes. Ainda assim, desbravar o mundo não é para todos. Cada um tem sua paixão, seu interesse, etc. Falando nisso, salve Capitão Cook!
Laura fez para o jantar aquele molho de pasta de amendoim para colocar em cima do arroz que eu amo! Eu até repeti o prato dessa vez...
Comecei a ler: “Shackleton`s way” da Margot Morrel e Stephanie Capparell. Uma impressionante história cheia de aventuras reais sobre o legendário navegador Shackleton. O homem que salvou a vida de vinte e sete homens quando estavam no meio da Antártida por quase dois anos, de 1914 a 1916. Há alguns anos atrás eu tinha visto o filme: “Endurance”, mas confesso que a leitura está sendo muito mais emocionante...


Barbara Veiga.

-Passando mais uma vez o EEZ-

02-01-2010
A chuvinha fraca e o dia nublado me faz comecar o dia com um chazinho de “peppermint” depois de um banho quentinho para despertar tranquilamente. Procuro ajudar com algumas tarefas do navio para me sentir mais útil, já que esses dois primeiros dias de navegação tem sido de calmaria e preparação emocional para o que virá pela frente(assim espero).
Lavo a louça do café da manhã e eventualmente ajudo nos plantões da ponte de comando. No meu camarote, aproveito para trocar os lençóis e colocar algumas roupas para lavar. Dinamismo é a palavra dessa semana.
Uma das minhas lentes apresentou um inesperado problema no dia em que saimos de Hobart e hoje constatei que não tem conserto, infelizmente. Vou precisar comprar uma nova quando voltar a civilizacao. Só que quando voltaremos a civilização? Talvez só daqui há dois meses....
O problema foi o zoom que ficou bloqueado entre o 100 e 135mm, nao volta ao 28mm ... puxa vida! Bem,não 'e o fim do mundo porque ainda tenho outras opções. Farei o que eu puder com o material que agora tenho. Imprevistos acontecem, mas o importante mesmo é tentar ser criativa e positiva nos momentos de tensão. Até porque me desesperar em alto mar, em direção `a Antártida não vai adiantar muito! Me volto ao lema: “ UHULLL”, o que sempre me dá forcas!!!
Passamos novamente pelo EEZ `as 2h30 da manhã, esperando que nenhum navio espião nos persiga dessa vez. Todos os “portholes” (janelas) do navio foram fechadas e ficamos em “black out” para evitar que chamemos a atenção com qualquer tipo de luz.
Aparentemente o tempo vai melhorar em 24 horas, mas até lá continuaremos com ondas que chegam até oito metros de altura. Incrível o tom de azul que faz com o sol refletido no mar... azul -bebê-ciano.
Ady Gil e Bob Barker se encontrarão em três dias e nós deveremos encontrá-los provavelmente dentro de seis dias. Estamos otimistas em encontrar de vez os baleeiros uma vez que chegamos nas águas da Antártida.


Barbara Veiga.

Altas ondas...


01-01-2010
Mar com ondas de 5 metros e os ventos continuam a soprar a média de 60 nos.
Paul é entrevistado às 14h20 pela Sydney Rádio e até agora não temos nenhum navio japones nos seguindo. Nada apareceu no radar desde que começamos a travessia, estamos livres, leves e soltos.
Soube que algumas das fotografias tiradas por mim e pelo Michael nos dias de confronto com o Shonan Maru II foram publicadas em alguns jornais autralianos,mas com direitos autorais deles. É deprimente essa falta de ética! Ficamos desapontados e esperamos que não aconteça novamente. Ainda não tive a chance de ver os jornais, mas com certeza na minha volta vou entrar em contato com os que copiaram nossas fotos. Como jornalista e tambem fotógrafa fico desapontadissima com essa postura vinda da mídia internacional. Roubar uma foto de um fotógrafo é como violar todo e qualquer respeito profissional.
A lua cheia aponta no céu finalmente e vem por trás das nuvens para iluminar as águas desse belo revolto mar e a nossa ponte de comando.


Barbara Veiga.