sexta-feira, 5 de março de 2010

Um sonho de toda vida - realizado!

24-02-2010
63˚ 28 33`S / 87˚ 33 64`E
Recebemos uma ligação do Bob Barker que apresenta mais uma vez um problema no motor e vai precisar da nossa assistência. Paramos entre outros fantásticos icebergues para um reencontro que deve levar longas horas porque eles estão há mais de 400 milhas de nós.
Não podemos ancorar porque nossa profundidade é de 3812 metros, porém estaremos “à deriva” no aguardo dos nossos amigos.
Estava nevando, quando de repente abriu um sol magnífico e o reflexo da luz solar nos icebergues de formatos exóticos apresentou o azul turquesa mais lindo que vi em toda minha vida!

Houveram algumas saídas de bote para filmarmos e fotografarmos os icebergues de perto. Os experientes mergulhadores: James, Leon e Lary foram no outro bote até o icebergue mais próximo do navio para explorar o mundo subaquático das gélidas águas do Oceano Austral. A visibilidade parecia boa e ver esse azul em baixo d`água deve ser um enorme privilégio...


Eu estava na segunda saída no inflável, às 13h30 com o intuito de fotografar o Steve Irwin junto aos icebergues e de repente... sem esperar, eu começo a ver no ar sinais da respiração das baleias. Minhas pernas começaram a bambalear e fiquei imaginando o sonho que seria fotografá-las de pertinho.
Fizemos círculos ao redor de um icebergue para capturar uma boa imagem do Steve Irwin no fundo e finalmente elas estavam lá... as “humpbacks” - várias delas! Imagino que próximo ao icebergue elas tenham mais chance de encontrar comida, por isso estavam lá...
Foi nesse dia, 24/02/2010 que eu me dei conta de que nasci para fazer tudo que tenho feito e que não posso pensar em outra carreira na minha vida. Foi quando eu fotografei rabos de baleia de tão perto que eu me emocionei de verdade e ainda consegui um ângulo onde aparecia o navio e um icebergue. Eu tive um “click” especial nessa hora : “Quero fotografar vida selvagem, quero ajudar nosso planeta com meu trabalho!”.


Essa campanha para mim foi muito especial e cada momento foi incrível... porém ver essas baleias ao redor do nosso inflável, ver essas baleias apenas em seu hbitat, livres desfrutando do oceano em paz, sem baleeiros ao redor... esse para mim foi o dia mais emocionante de todos os meses que estou à bordo do Steve Irwin! Realizei meu sonho de uma vida inteira! UHULLL!

Pisei,corri e pulei em cima de um icebergue!!

23-02-2010
64˚ 06 49`S / 80˚ 11 98`E
Ligamos para o Bob Barker para saber se eles estão bem. Ficamos preocupados porque quando saímos da passagem de gelo mudando o rumo, eles ainda estavam lá e não deve ter sido fácil navegar a noite. Eles se encontram na posição 67˚ 19`S / 75˚ 20`E e continuam seguindo o Nisshin Maru.
No nosso caminho a Hobart, nos deparamos com um icebergue de 3km de largura(posição gps: 64˚06 00` S/83˚ 47 67`E) e o quadrúplo de altura, desde a superfície da água até o topo... foi emocionante ver tão de perto uma estrutura de gelo tão perfeita!

Às 20hs, o nosso gentil piloto Chris, decidiu levar cada tripulante para o topo desse icebergue para uma foto, e no total foram 48 vôos(ida e volta/ decolagem e pouso). Foram duas horas que eu fiquei fotografando a tripulação no gelo e contemplando a vista lá de cima. O Steve Irwin era um pontinho preto no meio dessa imensidão fantástica.

Era visível a alegria nos rostos de cada um... tudo foi mágico! Pisar, caminhar e correr em cima de um icebergue. Wow! Não poderíamos terminar a campanha de melhor forma.

22-02-2010
65˚ 48 49`S / 75˚ 08 83`E
Vincent e David se despedem e vão para o Bob Barker, que fica mais duas semanas atrás do Nisshin Maru. Hoje é o último dia de ação do Steve Irwin com os baleeiros . Precisamos voltar porque não temos mais combustível e a temporada de caça baleeira está prestes a terminar.
O helicóptero fez diversos vôos até o Bob Barker para levar e buscar pessoas, também já que eles ficarão mais tempo e nós voltaremos breve ao porto, demos comida e equipamentos de ação que eles vão poder usar durante essas duas semanas no mar.

Tivemos mais uma fantástica passagem de gelo, que começou às 11h55 e foi até às 19hs. Vimos muitas focas e pássaros lindos, como o gracioso “snow petrel” e o “giant petrel” em cor branca com manchas pretas bem pequenas.

Bob Barker ficou atrás do Nisshin Maru e nós seguimos o Bob. Naturalmente o Nisshin Maru colocou o “water canon” em todas as direções possíveis para escapar de nós, mas ficamos lá. Chegou um momento em que estavamos fazendo círculos, até que o Capitão Paul mudou a direção. A ação foi eficaz... nenhuma baleia foi morta e deixamos agora nas mãos da nossa querida tripulação do Bob Barker.
Mudamos o rumo para Hobart, com mar calmo e lindas nuvens. Pegamos gelo dos icebegues para a próxima festa em comemoração a campanha que está no final e que não deixou nenhum momento a desejar. Cada momento foi especial e marcante.

Ritmo acelerado.

21-02-2010
Ao acordar, eu já estava sendo presenteada com meu maior icebergue visto até hoje. Quarenta km de largura(a média de vinte milhas naúticas)... surreal! Comecei a olhar da esquerda para direita desde o convés e ao girar minha cabeça para ver o restante do fantástico pedaço de gelo, pensei que não terminaria nunca... incrível!
O marinheiro Kevin sobe ao mastro para repôr a luz de navegação usada a noite que havia queimado há dois dias atrás. Nesse mesmo momento chegou a cair uma tempestade de neve, mas nada grave. Como é bonita a branquidão vinda do céu... eu adoro quando neva!

Durante a navegação, percebemos que na carta naútica dizia que havia “terra” na posição GPS 65˚ 45 S / 81˚ 48`E ou 65˚ 47`S / 81˚ 551E... só que na verdade era uma enorme bloco de icebergue. Susan pegou dois diferentes GPS com a posição demarcada para provar que ali não havia terra para os próximos navegadores que passarem por essa parte do Pólo Sul. Fotografei a prova: Susan segurando os GPS de frente ao icebergue.


Hoje foi um dia de intensas emoções para nós ativistas. Dessa vez foi o Bob Barker que tomou a iniciativa de se aproximar do Nisshin Maru, impedindo a caça baleeira. Eles acionaram os canos de água e mudaram de curso algumas vezes, fazendo a nossa saída da passagem de gelo.
Ao cruzarmos os enormes blocos de gelo, vimos pelo menos dez baleias “humpbacks”, focas, pinguins e belíssimos pássaros. Que privilégio estar aqui, não canso em repetir o quanto me sinto completa com essa experiência de navegar na Antártida, ainda envolvida com essa campanha tão importante para nossos oceanos!

David e Vince embarcarão amanhã no Bob Barker para a travessia até a Austrália. Nessa madrugada, além da edição das fotos do dia de hoje eu também preparo um dvd para cada tripulante com fotos de toda campanha nesses 4 meses e meio que estou a bordo do Steve Irwin. Para complementar, vou preparar um arquivo especial com fotos deles durante as ações. Eu amo o meu trabalho!!!
Recebi um email do Daniel Vairo, presidente da Sea Shepherd no Brasil pedindo para contactar o Paul e perguntar sua opinião sobre a presença da Organização no “Small working Group” da Comissão Baleeira que ocorrerá em Brasília, no Palácio Itamaraty. O encontro será organizado para fazer referência ao posicionamente do Brasil com relação a caça baleeira.
Paul achou importante que os membros da Sea Shepherd Brasil estejam lá representando a ONG e também a nossa pátria. Fico feliz que ele tenha apoiado essa idéia!

Giant petrel... lindo!!!




20-02-2010
65˚ 09 50`S / 86˚ 35 74`E
Muitas fotos de icebergues impressionantes e pássaros que nos visitaram durante a navegação de hoje (“Giant Petrel”, “Snow Petrel” e “Petrel Pintado” - cujas espécies não sei o nome em português).

O Nisshin Maru muda de rumo inúmeras vezes, porém temos a vantagem de um tempo melhor, com visibilidade clara, pouca neve e chuva. Ventos amenos entre 30 à 40 nós...ainda fortes... perdi um gorro e meu chapéuzinho preferido dessa viagem com as ventanias que enfrentei enquanto fotografava no convés! 
Ossos do ofício... ainda bem que tenho mais um que é bem quentinho para o frio da Antártida.
Tivemos hoje uma reunião para aqueles que vão ficar para a próxima campanha. Já temos as datas de chegada em Galápagos, Panamá, Nova Iorque e Cannes - as próximas destinações. Estou animadíssima com esse trajeto e tenho certeza que vou ter muito o que explorar, além de poder fazer muito mergulho em Galápagos... !

Humpbacks!!!

19-02-2010
64˚12 23`S / 76˚ 32 91`E
Recebemos essa manhã uma ligação do Bob Barker com a notícia de que recuperou sua velocidade e tem o motor consertado, podendo nos encontrar novamente ainda hoje talvez a noite. Os dois navios juntos farão a volta até Hobart e ficaremos de frente a Salamanca, como o Steve irwin na última vez.
Ainda temos 2600 milhas até Hobart e nós podemos continuar seguindo o Nisshin Maru, caso ele continue indo em direção leste ou sul por mais quatro dias. Depois disso, vai ser o momento de terminar a campanha e voltar ao porto pela falta de combustível. De qualquer maneira, nós já seguimos a frota japonesa por mais de 3000 milhas nessa campanha – um recorde da Sea Shepherd em todas as operações na Antártida.
Aparentemente o consulado da Nova Zelândia falou com o Peter Bethune e ele está bem, com seu próprio camarote e livre para caminhar e ter suas refeições no Shonan Maru II. Fico aliviada em saber que ele está tendo seu próprio espaço e tendo “liberdade” no navio japonês.
Baleias humpbacks nadaram ao lado do Steve Irwin às 22h58! Não poderia haver melhor maneira de terminar meu dia...


O tempo não está favorável...

18-02-2010
64˚ 40 18`S / 72˚ 44 42`E
Mais uma vez o Bob Barker apresenta um problema no motor e precisa reduzir a velocidade, talvez parando por alguns dias. Estamos algumas milhas na frente do Bob(que tem a posição atual de: 58˚53`S/76˚48`E). O Steve Irwin continua persistindo atrás do Nisshin Maru. Completamos hoje o recorde de todas as campanhas, somando o total de 15 dias sem que nenhuma baleia tivesse sido morta.
O Nisshin Maru muda de rumo diversas vezes. Esta chovendo, nevando e os ventos chegam a 70 nós de velocidade dificultando a navegação com limitada visibilidade. Não foi possível fazer nenhuma ação decorrente do tempo ruim, porém a previsão promete melhora em 14hs.

Ainda temos 14 dias de combustível, o que significa que podemos fazer mais quatro dias de ações e depois disso vamos ter que começar a pensar na volta para Austrália(provavelmente Hobart, que até o momento parece a destinção mais lógica).
Fotografo a tempestade e a constante mudança de rumo do Nisshin Maru. Aguardo ansiosa para que o tempo melhore, podendo dar continuidade às atividades e seguir lutando pela vida das baleias até a última gota de combustível que sobrar no Steve Irwin.
Laura preparou um feijãozinho delicioso que combinou perfeitamente com esse friozinho de -2˚C. É uma pena que a farofa doada em Sydney já tenha acabado, mas ainda assim foi bom para matar as saudades! Infelizmente foram poucos os que sentarão a mesa para jantar. Com o navio rolando de lá para cá, a maioria da tripulação ficou enjoada e acabou deixando a panela cheia.

Uma mensagem ao Nisshin Maru desde a cozinha...


17-02-2010
62˚ 59 21`S / 73˚ 38 07`E
Um dia cheio de atividades, começando com a preparação do “propeler fouling” às 4h30 da manhã. A ação começou por volta das 5h30 da manhã, aproveitando o mar calmo e a escuridão austral. 


O Steve Irwin se aproxima do Nisshin Maru com a longa corda que está cheia de fios de metal por dentro e uma bóia que deve tocar a hélice do navio japonês.

Foram mais de quatro horas de ação. O Steve Irwin fez diversas voltas ao redor do Nisshin Maru, que chegou a parar por 30 minutos, mas depois voltou ao curso anterior passando pela nossa proa com o cano de água apontado em nossa direção.

O helicóptero fez três longos vôos para intimidar o Nisshin Maru,somando mais de cinco horas de viagem. Ao mesmo tempo, no convés do navio, o Delta estava sendo preparado pelos marinheiros e entrou em ação com as duas “potato guns” que Lary(ex tripulante do Ady Gil) junto com outros ativistas carregaram para lançar as bombas fedorentas na lateral do Nisshin Maru, aonde tem escrito “Research”(Pesquisa). Lançando as garrafas de ácido butírico desde a “potato gun”(que funciona com o ar das garrafas de mergulho) a distância pode chegar até 150 metros, podendo atingir facilmente o navio desde o inflável.

O Shonan Maru II muda de rumo e desaparece do radar, assim como o Yushin Maru I e Yushin Maru II. Acreditamos que os navios estejam indo de volta ao Japão, uma vez que estão com o Peter Bethune a bordo. Naturalmente o caso deve estar deixando a mídia curiosa e o lado positivo dessa decisão dos navios japoneses é que não estão caçando baleias para resolver o “problema” de ter um ativista “eco-terrorista”(como eles se referem aos membros da Sea Shepherd) a bordo do Shonan Maru II.
Durante os confrontos com o Nisshin Maru, tivemos o privilégio de ver baleias humpbacks, fins e até mesmo orcas entre os dois navios. Foi mágico relembrar a razão de estarmos lutando pela vida dessas criaturas e poder ter a certeza de que elas estarão nadando livres longe do risco da caça.

-Jogando "ovos de crocodilo"-

16-02-2010
57˚ 28 91`S / 76˚ 45 32`E


Mais um dia de ação intensa entre o Steve Irwin e o Nisshin Maru. Pegamos os ovos de crocodilo(uma brincadeira) com mensagens que foram deixadas pelos doadores de Fremantle quando fizemos o evento da Sea Shepherd no “Town Hall”. Dez minutos depois, lá se foram lançados os ovos até o navio japonês!
Nesta atividade nós não chegamos tão perto como das outras vezes, mas o suficiente para que um dos ovos cheguem ao outro lado... o cano d`agua foi acionado, mas o confronto durou menos de vinte minutos.

O Shonan Maru II, o navio que tem Peter Bethune a bordo mudou seu curso indo para o sul. O Steve Irwin continua seguindo o Nisshin Maru, que voltou a direção da Austrália... é possível que terminaremos a campanha em Hobart. Vamos fazer o “great circle”, quando calculamos um ângulo que nos faz ir mais rápido que seguindo em linha reta. Fiquei contente com essa notícia, porque significa que veremos mais gelo e existe uma possibilidade de ver neve e icebergues mais algumas vezes antes de voltar à civilização. 

"Operação Bethune"

15-02-2010
57˚ 18 02`S / 71˚ 07 44`E
São 7h24, acabo de tomar um chocolate quente e o que tenho a dizer é que a “Operação Bethune” foi um grande sucesso. Uma ação que começou às 6h da manhã e durou apenas trinta minutos.
Antes da partida de Peter, a tripulação o abraçou com carinho, desejando sorte nessa grande missão onde todos esperam que tenha grande repercussão na mídia, o final perfeito dessa campanha.


Lary dirigiu o jet ski junto com o “camera man” Joe para levar o Peter até o Nisshin Maru. A preparação da operação foi rápida. Todos vestiam roupas de mergulho especiais e sairam na “calada da noite”. Todas as luzes do navio estavam apagadas para não chamar a atenção da frota japonesa. Fotos e filmagens todas feitas com a luz natural.
Na ponte de comando, mais de dez pessoas acompanharam o trajeto do jet ski pelo radar. A comunicação foi excelente e rapidamente, Lary estava de volta. Foi uma ação bem sucedida e pessoalmente espero que Peter não tenha grandes problemas nos dias que ele terá que ficar a bordo do navio japonês. Naturalmente eles farão muitas perguntas e tentarão tirar o máximo de informações possíveis até chegar no Japão ou quem sabe a Nova Zelândia.

Boa sorte, Peter!
A nossa tradutora japonesa, entra em contato através do canal 16 com o Nisshin Maru. Agora confirmado: Peter está a bordo. Leela leu a carta escrita pelo Peter Bethune, anunciando a razão de estar embarcando no navio japonês e depois disso não houve mais resposta.
O helicóptero entrou em atividade para investigar a reação da tripulação do Nisshin Maru, que segundo o piloto Chris, aparentemente está reagindo bem ao caso.